
Pesquisadores da Universidade Federal do Piauí (UFPI) estão desenvolvendo um sensor portátil, que deve transformar a análise de fitoquímicos em soja. O dispositivo será capaz de detectar e quantificar as principais moléculas bioativas da soja, oferecendo uma ferramenta inovadora para o controle de qualidade e melhoramento genético do grão.
A pesquisa está sendo financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por meio do Programa de Fixação de Jovens Doutores (Profix-JD).

O sensor portátil, desenvolvido pelo Laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento de Novos Materiais e Sistemas Sensores (MATSENS) da UFPI, utiliza tecnologia de ponta para identificar e quantificar moléculas bioativas presentes na soja, como isoflavonas, proteínas e ácidos graxos essenciais. Estas moléculas são fundamentais para determinar a qualidade nutricional e comercial do produto, além de serem importantes para a saúde humana, devido às suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias.
O equipamento se destaca pela sua portabilidade e facilidade de uso, permitindo que produtores, pesquisadores e técnicos agrícolas realizem análises diretamente no campo, sem a necessidade de laboratórios sofisticados. Isso representa uma economia significativa de tempo e recursos, além de possibilitar um monitoramento mais constante e preciso da qualidade da soja.
“No Brasil, o mercado de isoflavonas de soja tem apresentado crescimento, embora seja menor em comparação com os Estados Unidos e a Europa. Assim, a utilização do dispositivo desenvolvido auxiliará o agricultor no direcionamento da produção, garantindo uma soja melhorada para atender uma variedade de novas demandas do mercado. Além disso, parcerias, entre o agricultor e as empresas tecnológicas, poderão impulsionar o desenvolvimento de novos produtos, agregando ainda mais valor à soja produzida no Piauí”, enfatizou o pesquisador Emanuel Airton, bolsista de pós-doutorado do projeto.
Aplicações Práticas
Portátil e de fácil utilização, o sensor pode ser operado diretamente no campo após um breve treinamento, o que facilita o controle de qualidade da soja em diversas etapas de produção. Isso é particularmente útil para programas de melhoramento genético e na produção de suplementos alimentares baseados na soja.
De acordo com Emanuel Airton, a implementação deste sensor na rotina agrícola pode trazer diversos benefícios. Além de assegurar a qualidade da soja destinada ao consumo interno e exportação, ele pode auxiliar na seleção de grãos para plantio, contribuindo para a melhoria contínua das safras.

Avanços e Próximos Passos
O sensor já foi validado em termos de detecção de compostos na soja e demonstrou eficiência em análises preliminares de amostras do mercado local. Os dados obtidos estão sendo preparados para publicação em revistas científicas especializadas. O próximo passo será ampliar o escopo das análises para diferentes tipos de soja e aprimorar o software de interpretação dos dados. Assim será possível seguir para a produção do sensor em grande escala.
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