
De acordo com o levantamento da Global Entrepreneurship Monitor (GEM), em 2024, a taxa de empreendedorismo total (TTE) alcançou mais de 33% da população adulta, o que corresponde a aproximadamente 46,9 milhões de pessoas. Em 2023, essa taxa era de 30,1%, representando cerca de 42,2 milhões de brasileiros.
Dentro desse total, o empreendedorismo inicial (TEA) — que engloba empreendedores em fase nascente ou com até 3 anos e meio de atividade — subiu de 18,6% em 2023 (26,1 milhões de pessoas) para 20,3% em 2024 (28,6 milhões).
Ainda segundo a pesquisa, no ano passado, mais de 94% dos empreendedores afirmaram utilizar tecnologias digitais ou aplicativos para vender seus produtos ou serviços. Entre os empreendedores em estágio inicial, esse percentual sobe para 96,2%.
John Ben David, fundador do Instituto Recifes Digitais, explica que, apesar de desafiador, o cenário brasileiro para os nanoempreendedores oferece muitas oportunidades. “Com o avanço da internet e das redes sociais, muitos profissionais estão conseguindo iniciar negócios com investimentos mínimos, aproveitando o digital como vitrine e canal de vendas. No entanto, a falta de preparo técnico, acesso limitado à educação empreendedora e as constantes mudanças do mercado ainda são barreiras relevantes”, detalha.
O profissional também destaca o alcance maior que os donos de pequenos negócios possuem graças à digitalização. Ele alerta para a necessidade de uma boa estratégia de posicionamento digital, que combine conteúdo de valor, presença em redes sociais e atendimento eficiente. “Com o uso de marketplaces, WhatsApp Business e outras plataformas, é possível escalar vendas e fidelizar clientes mesmo com uma equipe enxuta”, acrescenta.
A fim de acompanhar o crescimento online, o especialista indica atenção à análise de dados. Métricas como alcance, engajamento, conversão, ticket médio e recorrência ajudam quem está começando a entender o que está funcionando e o que precisa ser ajustado. “Mesmo com ferramentas simples como o Instagram Insights ou relatórios do Google Analytics, já é possível tomar decisões mais assertivas e evitar desperdícios de tempo e investimento”, analisa.
Transformação digital democratiza o empreendedorismo
Ainda segundo John, a transformação digital democratizou o acesso ao empreendedorismo. Ferramentas que antes eram restritas a grandes empresas hoje estão disponíveis de forma gratuita ou a preços acessíveis. “Plataformas de e-commerce, meios de pagamento digitais, redes sociais e aplicativos de gestão transformaram a forma como pequenos negócios se organizam e se relacionam com seus clientes”, explica.
O comportamento do consumidor também mudou, conforme ressalta o especialista. Hoje, clientes e potenciais clientes estão mais conectados, exigentes e abertos a experimentar marcas menores com propósito claro.
Para quem está começando um negócio com poucos recursos, John dá dicas de algumas ferramentas, como o Canva (design), Trello ou Notion (organização), WhatsApp Business (relacionamento), Instagram e TikTok (marketing), além de plataformas como Mercado Livre, Shopee, Madeinc e Tronn E-commerce (vendas online).
“O empreendedorismo digital não é sobre ter todas as respostas desde o início, mas sobre construir aprendizados constantes. Mais do que uma boa ideia, o que diferencia quem cresce é a consistência e a disposição de testar, ajustar e evoluir. O Brasil tem um potencial gigantesco para micro e nanoempreendedores, e com orientação certa, é possível transformar uma simples iniciativa em uma história de impacto”, conclui.
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