
Foi um início tranquilo de temporada: duelos limpos, Ferrari crescendo, Mercedes tentando entender o novo regulamento, Hamilton e a FIA discutindo sobre joias... Mas é hora de prestar atenção a um agente novo, que terá papel importante no Mundial daqui pra frente.
Depois de apenas cinco GPs, vários pilotos já correm risco de punição por exceder o limite de uso de componentes da chamada "unidade de potência". Sete já atingiram o número máximo de pelo menos um elemento e estão sujeitos a perder posições no grid já na Espanha.
Sim, agora! Barcelona será só a sexta de um total de 22 etapas e já tem gente pendurada!
Há anos, em nome do controle de gastos, o regulamento da Fórmula 1 vem reduzindo cada vez mais o limite para o uso de componentes do motor e da caixa de câmbio. Até o início do século, por exemplo, era comum equipes produzirem motores especiais para classificação, elevando os custos às alturas. Em 2014, com o início da era híbrida, a FIA passou a usar a expressão "unidade de potência" e a especificar limites para as principais partes.
Punições no grid por estourar essas alocações não são novidade. Tantos pendurados, tão cedo no Mundial, sim. E isso tem tudo a ver com a "nova F1".
Embora as regras de motores e câmbio não tenham mudado para 2022, todo o resto sofreu uma revolução. A nova aerodinâmica tornou os carros mais nervosos, difíceis de guiar, quicando no chão o tempo todo. Isso quebra peças, aumenta o desgaste de componentes, provoca acidentes.
Alonso e Tsunoda que o digam.
Os dois são os que enfrentam cenário mais crítico: já chegaram ao limite de três unidades de quatro componentes da unidade de potência: motor a combustão, turbocompressor, MGU-H e MGU-K _estes dois últimos, sistemas de recuperação de energia. A partir da quarta unidade de qualquer uma dessas partes, perderão dez posições no grid de largada.
O espanhol também está no limite do uso de baterias (2) e centralinas eletrônicas (2), situação vivida por Gasly, Albon, Magnussen e Schumacher. Bottas completa a lista de sete pilotos pendurados, já tendo usado três turbos e três MGU-H nas cinco primeiras corridas do ano.
Entre os líderes, a situação por enquanto é bem tranquila. Leclerc e Verstappen ainda estão com os componentes com que começaram a temporada. Pérez, terceiro no Mundial, já começa a se preocupar: está na segunda das três unidades de turbo e MGU-H.
Fico aqui imaginando como quando a F1 entrar em outubro: já terão passado 16 etapas, ainda faltarão 6 e o campeonato estará na reta decisiva... Punições serão uma conversa rotineira a cada etapa, os resultados na pista não se refletirão automaticamente nas posições no grid. Segue abaixo a programação do GP da Espanha, sexta etapa do Mundial, no traço fino do Pilotoons.

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