
O governo venezuelano de Delcy Rodríguez não teria colocado a libertação de Nicolás Maduro como uma das condições nas negociações realizadas recentemente com setores da oposição. A informação foi divulgada pelo Financial Times, com base em pessoas que participaram das conversas. Ao longo de duas semanas, foram cinco rodadas de negociação, mas nenhum acordo concreto foi anunciado.
As conversas tinham como principal objetivo discutir os caminhos para uma nova eleição presidencial e medidas para reorganizar o país. Entre os temas tratados estiveram a recuperação após os terremotos que deixaram mais de 6 mil mortos e uma possível reforma do sistema judiciário. O nome de Maduro, que está preso nos Estados Unidos desde janeiro, teria perdido espaço nas discussões.
Outro sinal de mudança aparece na própria comunicação oficial do governo. O Ministério da Comunicação da Venezuela deixou de chamar Delcy Rodríguez de “presidenta interina” e passou a usar apenas “presidenta”. A mesma forma de tratamento começou a ser adotada por integrantes do governo e por setores ligados ao chavismo, indicando que sua permanência no poder pode estar sendo cada vez mais aceita dentro da própria base governista.
Os pedidos pela libertação de Maduro, que eram frequentes no início do ano, também se tornaram menos comuns nos discursos oficiais. Para o cientista político venezuelano John Magdaleno, a mudança pode mostrar que o governo de Rodríguez está construindo uma posição própria e se afastando gradualmente da ideia de retorno de Maduro ao comando do país. Preso em Nova York e acusado pelos Estados Unidos de crimes como narcoterrorismo e conspiração para importar cocaína, Maduro se declarou inocente.
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