
A União Europeia deve demorar pelo menos dois anos para voltar a importar carne bovina do Brasil. A informação foi divulgada pelo presidente da Câmara Setorial da Carne Bovina, André Bartocci, após uma reunião com integrantes do Ministério da Agricultura. Segundo ele, o prazo está relacionado ao ciclo de vida do boi, já que os europeus exigirão comprovação de que os animais seguiram as novas regras sobre o uso de antimicrobianos durante toda a criação.
A Comissão Europeia não confirmou oficialmente o prazo de dois anos, mas informou que a retomada das compras dependerá dos ciclos de produção dos animais. Atualmente, produtores que exportam pela chamada Cota Hilton já seguem regras mais rígidas e não utilizam antimicrobianos durante toda a vida do rebanho. Já a maior parte da carne enviada à Europa precisava comprovar apenas que essas substâncias não foram usadas nos últimos 100 dias antes do abate, regra que agora deve mudar.
No caso da carne de frango, o setor espera uma solução mais rápida. Uma missão da União Europeia deve visitar o Brasil no fim de agosto para avaliar os novos protocolos de fiscalização adotados pelo governo. A expectativa da Associação Brasileira de Proteína Animal é que as exportações possam ser retomadas nos próximos meses, embora a decisão final ainda dependa da análise das autoridades europeias.
O bloqueio também afeta outros produtos brasileiros, como o mel. Segundo a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel, as vendas para a União Europeia haviam crescido após o aumento das tarifas dos Estados Unidos, mas o veto interrompeu esse avanço. O setor afirma que o mel brasileiro exportado é, em sua maioria, orgânico e certificado, mas reforça a necessidade de controles para evitar possíveis contaminações.
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