
O endividamento das famílias brasileiras chegou a 82% em julho, o maior nível da série histórica, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio. Mesmo com a redução da Selic para 14%, o custo do crédito continua elevado e dificulta o acesso de consumidores e empresas a novos financiamentos. O cenário aumenta a pressão sobre o orçamento das famílias e começa a afetar decisões de consumo e investimentos.
No varejo, a percepção é de que o consumidor está mais cuidadoso antes de gastar. O presidente da C&A, Paulo Correa, afirmou que o cenário de juros altos e maior comprometimento da renda faz com que as pessoas avaliem melhor cada compra. Para as empresas, o custo elevado do dinheiro também reduz a margem para investimentos e torna decisões de longo prazo mais difíceis.
A construção civil também sente os efeitos do endividamento. Segundo Luiz Maurício Garcia, CFO da Tenda, muitas famílias acabam adiando a compra de um imóvel porque parte da renda já está comprometida com outros financiamentos. O executivo afirmou ainda que a inadimplência entre clientes da empresa está entre 15% e 20% e que a provisão para devedores duvidosos aumentou no segundo trimestre de 2026.
O setor financeiro também defende uma redução dos juros. O CEO do Bradesco, Marcelo Noronha, afirmou que taxas menores e mais previsíveis ajudam os bancos e podem contribuir para reduzir a inadimplência. O Banco Central, por sua vez, mantém aberta a possibilidade de novos cortes da Selic, caso a atividade econômica e a inflação continuem desacelerando. Para economistas, uma nova redução pode ocorrer na reunião de setembro, mas a decisão dependerá principalmente do comportamento dos preços e da economia.
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