
O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, negou nesta segunda feira (10) ter sido responsável pela criação da chamada “taxa das blusinhas”, cobrança sobre compras internacionais aprovada enquanto ele estava à frente do Ministério da Fazenda. Em entrevista à CNN Brasil, Haddad afirmou que a medida não teve relação com sua atuação nem com o ajuste fiscal do governo.
Segundo Haddad, a cobrança começou com a decisão dos estados de aplicar ICMS sobre compras internacionais. Ele afirmou ainda que a parte federal da tributação foi aprovada pelo Congresso Nacional. De acordo com o ex ministro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicialmente era contrário à medida, mas mudou de posição diante do apoio dos parlamentares à proposta.
A declaração, porém, contrasta com manifestações anteriores do próprio Haddad. Em junho de 2024, durante a discussão sobre a cobrança federal de 20% para compras de até US$ 50, o então ministro afirmou que a participação do Congresso no debate deveria ser comemorada e disse que os setores envolvidos haviam chegado a um acordo sobre a alíquota. Após a aprovação, Haddad também defendeu a medida como uma forma de equilibrar a concorrência entre plataformas estrangeiras e o comércio brasileiro.
O próprio presidente Lula voltou a afirmar, em maio deste ano, que Haddad havia defendido a cobrança com convicção. Na entrevista desta segunda feira, o candidato reconheceu que a medida provocou desgaste político para o governo, mas voltou a atribuir sua criação a uma articulação entre governadores e Congresso. Haddad também falou sobre outros temas da campanha, como a revisão de contratos de concessão, a privatização da Sabesp e propostas para combater o crime organizado.
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