
Sete dos 17 pacientes com lesões graves na medula que receberam polilaminina em uso compassivo morreram no Brasil desde fevereiro, segundo informações da pesquisadora Tatiana Sampaio. O uso compassivo permite que pacientes tenham acesso a uma substância experimental antes da conclusão dos estudos clínicos e de uma eventual aprovação para uso regular. Segundo a pesquisadora, as mortes não tiveram relação com a aplicação da polilaminina.
De acordo com os dados apresentados pela cientista, mais de 100 pacientes receberam a substância, mas apenas 17 permaneceram no acompanhamento por pelo menos seis meses. Entre eles, 10 apresentaram algum nível de evolução clínica e sete morreram. A Anvisa confirmou ter sido informada sobre seis dos óbitos e afirmou que, até o momento, sua avaliação não aponta relação direta entre as mortes e o uso da substância. O sétimo caso ainda não havia sido encaminhado para análise da agência.
A polilaminina é estudada como uma possível alternativa para pessoas que sofreram lesões graves na medula espinhal. Apesar dos resultados iniciais apresentados pela equipe de pesquisa, a substância ainda precisa passar por estudos clínicos para que sua segurança, eficácia e dosagem sejam avaliadas de forma científica. A Anvisa autorizou a realização da primeira fase dos estudos clínicos, que tem como principal objetivo avaliar a segurança da aplicação em seres humanos.
A discussão ganhou força após a divulgação dos resultados obtidos com pacientes que receberam a substância em caráter experimental. A pesquisadora chegou a questionar a necessidade de estudos clínicos para a polilaminina, mas a Anvisa contestou a afirmação e destacou a importância dos protocolos científicos antes da liberação de novos tratamentos. A expectativa é que as próximas etapas da pesquisa possam esclarecer se a substância realmente é capaz de promover recuperação em pacientes com lesões medulares.
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